29 de novembro de 2016

Amizade oculta

Você normalmente tira uma pessoa que não tem intimidade.

E, pra piorar, você vai ter que comprar um presente pra alguém que você não conhece os gostos.

Aí você começa falando assim “ela é uma pessoa que eu não conheço muito, mas parece ser legal”.

E é justo nessa hora que aparece um engraçadinho gritando “não! tem que falar o contrário!”.

Porra, se já tava difícil falar de alguém que você mal conhece, imagina falar essas características ao contrário.

Mas o pior ainda está por vir. Quem será que te tirou?

Não importa quem seja, pode ter certeza que você vai ganhar um presente pior do que você deu.

Provavelmente uma camisa da Taco.

O que é uma merda, já que você só pode trocar por outra roupa da Taco.

Mas se você reparar, isso é até tranquilo. Difícil mesmo é você fingir que gostou.

É, porque pode acreditar: vão te obrigar a abrir o presente na frente de todo mundo.

Aí, amigo, haja “nossa, que legal, “nossa, como você advinhou?”, “nossa, é a minha cara”. Nossa, que vergonha.

Agora para pra pensar. E se for aquele amigo oculto de roubar? Fu-deu. Se você sair com um par de meias, agradeça. É daí pra pior.

Conheço pessoas que voltaram pra casa com uma peteca. Está bem, está bem, fui eu que voltei pra casa com uma peteca.

Mas é claro que ia dar merda, você sabia disso. Lá no começo, um gênio teve a brilhante ideia de limitar o valor do presente (“é só até 1,99, hein”).

Só que não para por aí. Como as pessoas gostam de ver a sua desgraça, elas terminam um amigo oculto já planejando o do ano que vem. Que roubada.

Não disse? Amigo oculto não é maneiro.